Carro elétrico pode ser uma realidade no Brasil?

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Muitos veem a evolução dos veículos movidos a combustíveis fósseis para os veículos elétricos como um processo natural para fabricantes e montadoras, principalmente pelas questões cada vez mais urgentes relacionadas ao meio ambiente. Teoricamente, o carro elétrico seria cobiçado não só pela economia que ele representa e seu reduzido impacto ambiental, mas também pelo design, conforto e segurança mais avançados.

Apesar de tudo isso, os carros elétricos ainda se encontram longe da realidade da maioria dos brasileiros. Mesmo com a alta de 20,4% nas vendas de carro elétrico em 2018, o número ainda representa 0,2% do volume total de carros comercializados. No último ano, foram licenciados somente 3.970 carros elétricos no país de um total de mais de 43 milhões de veículos rodando nas ruas.

O que será que impede o crescimento nas vendas do carro elétrico no Brasil?

Carro elétrico: uma alternativa limpa e econômica

Carro elétrico

O carro elétrico chama atenção por si só. Os modelos geralmente possuem design avançado e até mesmo exótico, além de um acabamento impecável. Os carros elétricos recebem muito mais “carinho” dos fabricantes e montadoras, que investem tempo e dinheiro para oferecer um produto de qualidade que seja atrativo para os seus consumidores.

O carro elétrico movido à bateria possui menos partes móveis, como correias, tanques de óleo e combustível, e possui menos riscos de falhas, barateando a manutenção de funcionamento e segurança.

Mesmo que o carro elétrico seja abastecido exclusivamente pela energia gerada por carvão, ainda assim ele é menos poluente que um carro comum, movido à gasolina. O motor compacto e silencioso do carro elétrico possui 100% de torque a zero rpm, sem as emissões negativas que a maioria dos modelos possui.

Se a energia da região for gerada por hidrelétricas e usinas eólicas então, a emissão relativa de poluentes é bem menor.

O custo total de propriedade e manutenção desses veículos podem ser reduzidos a quase zero, se compararmos com os carros movidos à combustíveis fósseis. Se considerarmos os custos de combustível, por exemplo, um carro econômico, movido à gasolina, consome cerca de R$110 para rodar por 300km.

Já o carro elétrico, como o lançamento de 2019, o Renault Zoe, consumiria cerca de R$37 de energia elétrica para rodar o mesmo trecho. Isso representa uma economia de 66%, fora os custos de manutenção. Se o proprietário do carro elétrico possuir painéis solares em casa, o custo de combustível é reduzido a zero. Já pensou?

O que impede os brasileiros de comprarem mais carros elétricos?

Mesmo com o vantajoso custo-benefício e a baixa emissão de poluentes, o carro elétrico ainda enfrenta grande dificuldade para se consolidar de vez no mercado brasileiro.

O principal problema são os preços de venda. Em países como Estados Unidos e em alguns lugares na Europa, a venda de carros elétricos possui incentivos fiscais dos governos que reduzem drasticamente o custo final.

Essa ação faz parte de uma resolução firmada pelo Acordo de Paris que tem o objetivo de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. O Brasil também é signatário e prometeu reduzir em até 37% as emissões de carbono até 2025, mas pouco fez para popularizar os carros elétricos. Em dezembro de 2018, o ex-Presidente Michel Temer sancionou a Rota 2030, que reduz o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o carro elétrico.

O anúncio da medida deixou as montadoras animadas e fez com que a Toyota lançasse seu modelo híbrido no Brasil. O Prius será vendido com preços a partir de R$125 mil e será pioneiro no mundo, podendo ser movido a energia elétrica, etanol ou gasolina.

A Renault não ficou para trás e no final do ano passado anunciou que seu modelo 100% elétrico chegaria ao Brasil. O Renault Zoe, com preço estabelecido em R$150 mil, já pode ser reservado no site da montadora e conta com tecnologia suficiente para rodar 300km com apenas uma carga de bateria.

Custos mais altos de fabricação dificultam montagem no Brasil

carro elétrico

Mesmo com tanta animação das montadoras, os preços de venda do carro elétrico passam bem longe da realidade brasileira. Isso porque esses modelos dependem de baterias de alta tecnologia, feitas de íons de lítio e fabricadas fora do Brasil. Só as baterias representam cerca de 40% do preço total do carro elétrico.

Outro fator encarecedor do carro elétrico é a falta de modelos fabricados e montados dentro do Brasil. Todos os veículos elétricos que circulam por aqui vêm de fora, o que acaba encarecendo ainda mais o produto por conta dos custos de importação.

Falta de postos de abastecimento

Além dos preços mais elevados para comprar um carro elétrico, o motorista que optar por esse tipo de veículo encontrará outra dificuldade: os postos de abastecimento.

Os carros elétricos não podem ser abastecidos em qualquer tomada, como um aparelho celular. Eles precisam de uma estrutura adaptada para o carregamento de uma bateria veicular e os eletropostos no Brasil ainda são raridade.

Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), existem cerca de 80 eletropostos no Brasil inteiro, sem contar os “estabelecimentos amigos”, como alguns shoppings que já disponibilizam uma plataforma de carregamento rápido para esse tipo de veículo.

carro elétrico

Mesmo com todas essas dificuldades, o carro elétrico é uma tendência no mercado mundial e deve crescer no Brasil. Com as políticas de incentivo e a baixa do dólar, a esperança é que os modelos elétricos tenham seus preços reduzidos e sejam mais popularizados.

Alguns modelos como o Toyota Prius e o Renault Zoe já se encontram disponíveis, mas ainda tem muita coisa por vir. Quer saber quais são os lançamentos de 2019? Clique aqui e acompanhe o nosso artigo!