Bater o carro da empresa não é o fim do mundo!

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Você pega o carro da empresa para visitar seus clientes? Agora, imagine que loucura seria se, na volta de uma viagem de trabalho, um apressadinho avançasse uma sinalização de “Pare” em que você tivesse a preferência e acabasse batendo no carro. Imagine, também, que o motorista infrator fugisse e você não conseguisse anotar a placa. Preocupante, não é? Bater o carro da empresa é o maior medo de todos os motoristas que dependem desses veículos.

Situações como esta são mais comuns do que você pode imaginar. A maioria dos motoristas sofrerá um acidente, leve ou grave, pelo menos uma vez na vida. Mas será que ao bater o carro da empresa o motorista precisa pagar o prejuízo?

Bater o carro da empresa gera descontos no salário?

Homem dentro de veículo

 

 

 

 

 

 

 

 

Para a felicidade dos bons motoristas, a resposta é: não. Bater o carro da empresa não pode, nem deve, gerar descontos no salário do empregado quando o acidente não for comprovadamente causado por negligência, imprudência ou imperícia. Na Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, existem artigos que protegem o trabalhador de arcar com prejuízos que não causaram.

Logo no início do artigo 462, do Decreto Lei nº 5.425 da CLT,  temos a primeira proteção ao salário do empregado. Ele veda que seja feito qualquer desconto no salário, salvo em situações de adiantamento, contribuições previdenciárias e sindicais ou feitos por contrato coletivo.

Já o artigo 482, letra “b”, determina que, caso o trabalhador faça mau uso de equipamentos ou cometa infrações disciplinares, como dirigir com negligência, imprudência ou imperícia, o empregador fica livre para realizar a rescisão contratual e aplicar medidas a fim de ressarcir o valor do prejuízo causado.

Isso significa que, ao bater o carro da empresa, o empregado não pagará o prejuízo se não existirem provas suficientes que comprovem o mau uso do carro.

Caso o funcionário acidentado já tenha apresentado problemas anteriores, o empregador pode reunir registros como multas, manutenções por mau uso ou acidentes anteriores para serem levados em conta na hora de pedir o reembolso do prejuízo causado. Se o trabalhador for, comprovadamente, um mau motorista, o empregador deverá emitir um acordo coletivo, que deverá ser assinado por ambos, autorizando a penalidade.

É importante lembrar que o empregado que utiliza o veículo da empresa não tem obrigação com os custos de manutenção e combustível. Todos os custos do veículo são de inteira responsabilidade do empregador, que precisa prever gastos extras com a frota.

O que fazer depois de bater o  carro da empresa?

Seja por cansaço, distração, excesso de peso ou pura falta de sorte, os acidentes podem acontecer a qualquer momento e precisamos estar preparados para que tudo corra bem. Bater o carro da empresa em que você trabalha pode ser um tanto desesperador, mas o melhor a se fazer é sempre deixar as coisas muito claras para o seu empregador.

Ao bater o carro, mantenha a calma e ligue imediatamente para a empresa para pedir ajuda. O empregador precisa ter um seguro contratado, o que vai facilitar na hora de pedir um guincho e tirar você e o veículo daquela situação.

A segunda coisa é solicitar a presença das autoridades de trânsito do local para registrar um boletim de ocorrência. É muito importante que você seja sincero em seu depoimento, pois tudo servirá como prova, contra ou a seu favor. Se a infração não foi sua, isso deve ficar bem claro, mesmo quando a batida for na traseira do carro.

O empregador deve prestar assistência ao funcionário, enviar o veículo para o conserto e analisar a situação, de forma que não seja injusto, mas que também não releve atitudes imprudentes. Caso a culpa seja do funcionário, a informação deverá constar no boletim de ocorrência e o empregador poderá escolher qual medida tomar.

Quais as responsabilidades do empregador que tem uma frota de carros?

Frota de carros empresariais

Basta que o empregador tenha um único veículo corporativo para que se configure uma frota empresarial. Tudo deve ser muito bem organizado para que os veículos não se tornem motivos de prejuízos constantes e passem de facilitadores a problemas.

Além de dimensionar a frota da forma correta para as necessidades da empresa, o empregador também precisa ter um seguro contratado para todos os veículos e estabelecer uma política de uso, que deve valer para todos. Pontos como formas de uso, manutenções e responsabilidades, devem estar claras para cada condutor.

Além disso, é muito importante que o empregador esteja ciente que acidentes e imprevistos podem acontecer e estar preparado para arcar com esses custos. Por isso, para diminuir os riscos de acidentes, é essencial que a empresa ofereça treinamentos, cursos de capacitação e reciclagem para os motoristas. A melhor forma de economizar nos gastos extras é investindo na formação de bons motoristas.

A manutenção dos veículos deve ser feita periodicamente, para que todos estejam sempre em boas condições de uso. Também é necessário que o motorista tenha responsabilidade e cuidado com o veículo, já que este é seu instrumento de trabalho. O respeito às leis de trânsito também é essencial para evitar multas e acidentes.

Quer saber o que fazer em caso de acidente de trânsito? Leia o nosso guia completo de segurança na estrada! Saiba também como cuidar dos carros da sua empresa e evite acidentes na estrada!